Audiência Pública em Ubá reúne especialistas, autoridades e população em busca de soluções após enchente histórica

Audiência Pública em Ubá reúne especialistas, autoridades e população em busca de soluções após enchente histórica

Na noite da última terça-feira (31), a Câmara Municipal de Ubá promoveu uma audiência pública para discutir os impactos da enchente ocorrida em 24 de fevereiro de 2026 e debater medidas para prevenir novas tragédias. Proposta pelo vereador José Roberto Reis Filgueiras, a reunião reuniu autoridades, técnicos, representantes de entidades e moradores atingidos.

Durante a abertura, o parlamentar destacou que as enchentes são um problema histórico no município, agravado ao longo das últimas décadas. Ele reforçou que o momento exige mais do que análise do passado, apontando para a necessidade de planejamento e ações concretas que garantam segurança à população.

Tragédia sem precedentes e impacto generalizado

O coordenador da Defesa Civil, Anderson de Almeida Pereira, apresentou dados alarmantes sobre o evento, classificado como fora de qualquer padrão histórico. Em apenas três horas, foram registrados cerca de 174 milímetros de chuva, provocando o transbordamento do Rio Ubá e uma inundação que atingiu seu ápice em cerca de 50 minutos, considerados os mais destrutivos da história recente da cidade.

Ao todo, mais de 1.188 famílias foram afetadas, atingindo cerca de 5.400 pessoas. O município contabiliza ainda dezenas de imóveis interditados e mais de mil vistorias realizadas.

Comércio devastado e prejuízo bilionário

Um dos pontos mais críticos abordados foi o impacto econômico. O presidente da ACIUBÁ, Elias Ricardo Coelho, revelou que cerca de 80% do comércio local foi atingido, com prejuízos estimados em aproximadamente R$ 650 milhões, número que pode ser ainda maior ao considerar outros setores.

Além disso, mais de 5 mil empregos foram impactados, e grande parte dos empresários corre risco de encerrar suas atividades sem apoio imediato. A entidade tem atuado na busca por linhas de crédito, criação de fundos emergenciais e campanhas de incentivo ao consumo local.

Especialistas apontam falhas estruturais e defendem planejamento

Ao longo da audiência, especialistas destacaram que o problema vai além do volume de chuva. O professor Caetano Marciano de Souza explicou que há um desequilíbrio entre a capacidade do rio e o volume de água gerado em eventos extremos, o que torna inevitáveis os transbordamentos.

Já o engenheiro Fausto Batista alertou para a defasagem nos dados utilizados em projetos de drenagem e reforçou a necessidade de um Plano Diretor de Drenagem que integre áreas urbanas e rurais.

O professor Julian Cardoso Eleutério destacou que o risco está diretamente ligado à vulnerabilidade urbana e ao crescimento desordenado, defendendo soluções combinadas entre obras estruturais, sistemas de alerta e planejamento territorial.

Poder público apresenta ações e desafios

O secretário municipal de Meio Ambiente, Salomão Júnior Curi, apresentou medidas já em andamento, como liberação de recursos para limpeza urbana, obras emergenciais e projetos de reconstrução de pontes e revitalização da Beira-Rio.

Ele ressaltou, no entanto, que não há soluções simples para um problema complexo, destacando a necessidade de planejamento integrado e decisões baseadas em estudos técnicos, especialmente diante do aumento da frequência de eventos climáticos extremos.

Participação popular cobra soluções concretas

A audiência também foi marcada por manifestações da população. O comerciante Rafael trouxe um relato emocionado sobre prejuízos acumulados ao longo dos anos e chamou atenção para os impactos psicológicos das enchentes, além da necessidade de requalificação do centro da cidade.

Outro participante, João de Paula dos Santos, cobrou maior objetividade nos debates e destacou a importância de intervenções estruturais, como a revisão da ponte no início do Calçadão, apontada como um gargalo histórico.

Já a moradora Nayara questionou a legislação urbana recente que permite construções próximas aos cursos d’água, levantando preocupações sobre os riscos futuros.

Compromisso com o futuro

Ao encerrar a audiência, o vereador José Roberto reforçou que o encontro representou um passo importante na escuta da população e no reconhecimento de um problema estrutural antigo. Ele destacou que o desafio agora é transformar diagnósticos em ações concretas.

A Câmara Municipal se comprometeu a sistematizar todas as contribuições apresentadas, com o objetivo de orientar políticas públicas e investimentos capazes de reduzir riscos e preparar Ubá para enfrentar eventos climáticos cada vez mais frequentes.

A audiência deixou claro que, embora não existam soluções imediatas, há consenso sobre a urgência de planejamento, responsabilidade e continuidade nas ações para garantir um futuro mais seguro para a população ubaense.

Acompanhe a audiência pública na íntegra clicando no vídeo abaixo: