Tribuna Livre na Câmara de Ubá expõe preocupações sobre projeto habitacional no Xangrilá

Tribuna Livre na Câmara de Ubá expõe preocupações sobre projeto habitacional no Xangrilá

Em sua primeira reunião ordinária após o recesso parlamentar, a Câmara Municipal de Ubá abriu espaço para a participação popular por meio da Tribuna Livre na noite desta segunda-feira (2). Um dos destaques foi a fala do advogado e morador do bairro Xangrilá, Anderson Ribeiro de Oliveira, que levou ao plenário a posição de parte da comunidade sobre a possível implantação dos residenciais Xangrilá I e II.

Logo no início, Anderson fez questão de afastar qualquer interpretação de preconceito contra políticas habitacionais. Segundo ele, a manifestação dos moradores não é contra a moradia popular, mas contra a falta de planejamento urbano.

“Moradia digna não se resume à entrega de casas, mas exige planejamento, infraestrutura, responsabilidade social, transparência e respeito à população que já vive no território”, afirmou.

Infraestrutura insuficiente

Durante a fala, o advogado listou uma série de problemas estruturais que, segundo ele, já afetam o bairro e que seriam agravados com o aumento populacional:

  • precariedade ou ausência de saneamento básico;

  • falta de escolas e creches para novas famílias;

  • inexistência de unidade de saúde com capacidade de absorver maior demanda;

  • ausência de áreas de lazer e convivência;

  • ruas sem calçadas adequadas, com pavimentação precária e inseguras para pedestres, idosos, crianças e pessoas com deficiência.

“Casas geram pessoas. Pessoas geram demandas. Demandas exigem políticas públicas concretas”, destacou, alertando que, sem esses investimentos, o que se cria “não é um bairro, mas um problema social anunciado”.

Preocupação ambiental e hídrica

Outro ponto central da manifestação foi a questão ambiental. Anderson ressaltou que a área prevista para o empreendimento não seria um terreno vazio, mas uma chácara com vegetação expressiva e função ambiental relevante.

Ele chamou atenção para a proximidade de um reservatório de água da COPASA, responsável pelo abastecimento do bairro, e classificou a região como área de recarga de aquífero, estratégica para a segurança hídrica do município.

“Aqui não falamos apenas de árvores. Falamos de água, de sustentabilidade urbana e de responsabilidade com as próximas gerações”, afirmou.

Bairro sem saída e sobrecarga urbana

Anderson também destacou que o Xangrilá é um bairro com vias limitadas, o que, na visão da comunidade, dificultaria a absorção de um grande aumento no fluxo de pessoas e veículos. Segundo ele, isso poderia gerar sobrecarga no trânsito, no saneamento, na saúde e na segurança pública.

Cobrança por transparência

Um dos trechos mais enfáticos do discurso tratou da necessidade de diálogo e participação popular. O morador afirmou que a comunidade se sente excluída do processo de discussão e criticou a falta de informações claras sobre o projeto.

Ele também mencionou o que classificou como contradições em falas de autoridades do Executivo municipal sobre a existência ou não do empreendimento no local, o que, segundo ele, gera insegurança e desconfiança na população.

Perguntas ao poder público

Ao final, Anderson elencou questionamentos que, segundo ele, precisam ser respondidos publicamente:

  • se o projeto é compatível com o Plano Diretor do município;

  • quando serão apresentados os estudos de impacto de vizinhança e ambiental;

  • se houve avaliação dos reflexos na segurança pública e na estrutura urbana do bairro.

“Não se trata de rejeição social. O que se pede é responsabilidade, diálogo, planejamento e respeito”, concluiu.

A participação foi acompanhada por vereadores e público presente no plenário. O tema deve continuar em debate nas próximas semanas, diante da mobilização dos moradores e da relevância do projeto para o crescimento urbano de Ubá.

Reportagem: Zona da Mata News

Veja a fala na íntegra do senhor Anderson na Tribuna Livre clicando no link abaixo: